terça-feira, 15 de abril de 2014

Sete Pecados

Por que o Flamengo não devolve ao Vasco o título conquistado na prorrogação com um gol do bandeirinha reincidente em atuações a seu favor?
Por que a Federação de Futebol do Rio de Janeiro não exclui de seus quadros todo bandeirinha que insista em favorecer seu time preferido?
Por que a Polícia não investiga o atleta que declara publicamente que acha ganhar roubado mais gostoso?
Por que os tribunais da CBF, em vez de buscar a justiça, são instrumentos da legitimação de expedientes escusos?
Por que a FIFA não inclui nas suas regras a revisão automática dos lances de gol com base na melhor tecnologia disponível?
Por que a Imprensa não entende que no longo prazo mais vale defender a honestidade que aumentar a receita explorando fraudes que agradam à massa ignara?
Por que tantos de nós, flamenguistas e vascaínas, jovens e velhas, governantes e governadas, permanecemos omissos diante disso tudo?  

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Justiça em Campo

Acabo de ler em um veículo da nossa Grande Imprensa artigo assinado por um auditor do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva defendendo as decisões nesse órgão, “de quem, trabalhando voluntária e gratuitamente, nada mais tem feito do que fazer valer as regras específicas vigentes”. O ilustre auditor, conselheiro federal da Ordem dos Advogados do Brasil, profliga como uma “guerra irresponsável” as tentativas de combater na Justiça decisões do STJD.
Seu fundamento é que a Constituição Federal garantiu “que o Poder Judiciário, em matéria de disciplina e competições, somente pode apreciar as matérias depois de esgotadas as instâncias da Justiça Desportiva”. Estranho argumento, posto que um Supremo Tribunal de Justiça Desportiva tem de ser a última instância da Justiça Desportiva. Assim, é precisamente contra as suas decisões que esse preceito constitucional autorizaria a recorrer ao Poder Judiciário.
O voluntarioso causídico pretende esclarecer o leitor de que esse Supremo Tribunal “apenas e tão somente, na forma das competências que lhe são próprias, aplica as normas relativas à disciplina”. A mim, não convence. Para mim, um órgão com esse nome, não pode ter outra atribuição senão fazer Justiça.
Duas decisões do STJD, relativas à última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013, são a causa de todo o desprestígio a que ele está sendo submetido. Na primeira, ele tirou quatro pontos da Portuguesa por incluir irregularmente um atleta em um jogo em que apenas cumpria tabela. Esta decisão decretou o rebaixamento, evidentemente injusto, desse clube.
Na segunda injustiça, que decretou o rebaixamento do Vasco, negou-se a anular um jogo em que, depois de interrupção por falta de segurança por tempo superior ao previsto nas regras, este clube acatou a ordem das autoridades para reiniciar o jogo e acabou derrotado. Baseias-se, neste caso, o STJD em que o árbitro tinha autoridade para reiniciar a partida a qualquer tempo.
Estas decisões tornaram-se o estopim para um questionamento das autoridades do futebol.
Em um ano de Copa do Mundo, os meios de comunicação têm importantes interesses econômicos no futebol. É compreensível que os editores adotem uma posição conservadora e se esforcem em dirigir a opinião pública para a preservação da ordem. Vale o que o árbitro decidiu. Vale o que o STJD decretou. Questionamentos não são bem-vindos.
Entretanto, se esses editores procurassem enxergar o verdadeiro interesse dos meios de comunicação perceberiam que coincide com o dos torcedores do futebol. E dariam apoio a sua guerra por justiça.
Cada vez mais se desconfia dos árbitros de futebol. Cada vez mais se desconfia dos bacharéis da Justiça Desportiva. Está na hora de a Grande Imprensa ficar do lado do povo e exigir, pelo menos, duas mudanças , a meu ver, suficientes para devolver a credibilidade ao futebol.
Quais são essas mudanças? Primeiro: o direito de os árbitros só tomarem certas decisões (basicamente as decisões sobre as posições de impedimento) depois de concluída a jogada e recorrendo a todo apoio da tecnologia de gravação de imagens disponível. Segundo: substituição, na Justiça Desportiva, dos advogados credenciados por relações de renda e parentesco que hoje a constituem por atletas profissionais que se tenham destacado pela disciplina e pelo respeito ao esporte.

Se conseguirmos isso no Brasil neste ano de Copa do Mundo, estou certo de que estaremos lançando as bases para um novo futebol, digno das diretrizes traçadas para o esporte na nossa Lei Magna.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Democracia X CBF

Passaram do limite! Não é só do Vasco da Gama, patrimônio cultural do povo brasileiro, que estão escarnecendo. É na democracia, há muito vilipendiada pela FIFA e a CBF, que desferem mais este golpe.
Depois de duas negativas sumárias, o Presidente do STJD da CBF resolve abrir mão da sua prerrogativa e submeter ao Plenário o pedido do Vasco. Quando? Ao final de uma sessão em que, depois de muitas horas de pitorescos pronunciamentos, tinham concluído a absurda entrega ao Fluminense da vaga ganha no campo antes da última rodada do campeonato pela Portuguesa. Então, em poucos minutos, por unanimidade, deliberaram que contra o Vasco deveria prevalecer o resultado do campo. Resultado de um jogo em que tirar o time de campo era expor jogadores, dirigentes e torcedores do Vasco à morte.
O que o Vasco pedia? Que fosse anulado um jogo paralisado por tempo superior ao permitido na regra, um jogo interrompido pela pancadaria, ao qual a Torcida Organizada do clube mandante avisou que mulheres e crianças não deveriam ir, para o qual o clube mandante limitou ao máximo a venda de ingressos para torcedores do Vasco - mais popular no Estado - e no qual assumiu as funções de policiamento em lugar da segurança pública, um jogo no qual a delegação do Vasco assistia o jogo em camarotes cercados pela torcida do oponente.
Este mesmo clube mandante, o Atlético-PR, orgulha-se de ter sido o primeiro a conseguir, em 2012, do mesmo Tribunal, que um atleta punido por uso de droga proibida tivesse a pena reduzida à metade. Depois dele, outro atleta obteve o mesmo benefício. Que clube defende? O Fluminense.
Mas não é o favorecimento a este ou àquele que está em causa. A Imprensa já tinha antecipado o veredicto do rebaixamento do Vasco. Mais do que fazer justiça ao Vasco neste caso, o que é preciso é romper a ostensiva propaganda que o Futebol faz desavergonhadamente do mais hediondo dos regimes civis, a demagogia.
A autoridade absoluta de árbitros e tribunais não resulta apenas no favorecimento aqui e acolá de um clube e outro. A humilhação do Vasco da Gama e da Portuguesa de Desportos é repetição de um sacrifício permanente da dignidade do povo brasileiro no altar da demagogia.
Os torcedores do Vasco devem provocar a manifestação do Ministério Público da União nesta oportunidade não somente para reintegrar o clube afastado da série A por essa injustiça, mas, principalmente, por medidas urgentes em defesa da democracia no futebol.
Pelo menos duas alterações devem ser obtidas antes que os gastos bilionários com a Copa do Mundo no Brasil sirvam apenas para nos encher de vergonha. A primeira, a revogação da suposta incomunicabilidade do árbitro, que a FIFA diz desejar sujeito apenas ao clamor da torcida. O juiz tem de ter o direito de rever as gravações dos lances duvidosos - gravações hoje rapidamente disponíveis - antes de decidir. Depois do flagrante do Edilson, sustentar a infalibilidade de sua excelência é apologia ao autoritarismo e ao engodo dos cidadãos.
A segunda é a inclusão nos tribunais e demais comissões da CBF de uma maioria de atletas e ex-atletas em substituição aos notáveis que hoje estão lá para sacrificar a Justiça à sanha dos clubes mais populares.   
Os torcedores do Vasco já mostraram que são capazes de acompanhar seu time na série B ou onde quer que seja atirado. Com os seus dirigentes usados como símbolo da incompetência e corrupção que infestam o futebol, com sua torcida punida como a responsável por toda violência em torno do campo, o time do Vasco continua praticando em campo um futebol que os enche de orgulho. O que os leva hoje à luta não é um clube, é o futebol e o direito do povo brasileiro a que em seu esporte preferido prevaleçam a Justiça e a Lealdade. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Como nasce o Filho de Deus?



O ser humano é limitado... Não estou falando do velho que esquece o início da frase antes de pronunciar o fim, nem da criança que nem desconfia o quanto tem a aprender. Mesmo, no vigor da maturidade, todos são, não só ameaçados a cada dia por novas doenças e catástrofes, mas, derrubados pelo cansaço ao fim de umas poucas horas de trabalho, ou de lazer.
Há no esforço coletivo uma forma de enfrentar essa fraqueza. Quando um envelhece, nasce outro; quando um adormece, outro acorda; quando um cai, outro levanta... Mas, a sociedade humana também é terrivelmente limitada. O que se observa, ao longo dos séculos, é que os melhores homens nas nossas melhores civilizações são autoridades mesquinhas, legisladores corruptos, juízes preguiçosos, jornalistas imbecis...
 A resposta cristã para essa situação é a fé em que somos criaturas de um Deus Pai Amoroso que cuida de nós, que nos fez assim para nos poder dar mais amor. O mundo é mau, mas Deus é bom...
A fé é capaz de vencer o medo que tem fundamento na experiência diária? Como manter a fé em um sentido para a vida quando, ao fim da luta para assegurar pão de cada dia, o anoitecer nos lembra da ameaça da morte, do espectro da pele e ossos virando pó.
Para sustentar a nossa fraca fé, Deus Pai nos deu o Seu Filho, que, em testemunho da boa nova de que o Pai não nos abandona, nos deu o exemplo não só da sua vida, mas, também da sua morte. O Filho de Deus enfrentou a morte por amor de nós e nos ofereceu a esperança da ressurreição para nova vida em seu Espírito. Depois de chamar a nossa atenção para a boa nova do Deus Pai, Jesus Cristo inebria os nossos sentidos com a esperança da vida eterna.
Mas, assim como a fé não apaga as nossas dúvidas, também a esperança não afasta a angústia, se não olharmos com um novo olhar a sociedade dos homens. É nela que o grande combate se trava.
Não basta saber, não basta sentir, é preciso, também, querer. Quando o que nos irrita não são as dificuldades naturais da vida e as nossas limitações para enfrentá-las, mas os que deviam estar lutando ao nosso lado e preferem nos humilhar e explorar, é que temos a oportunidade de alcançar o Espírito Santo. Preso e condenado pelos escribas e fariseus, abandonado na Cruz, Jesus se empenha em nos lembrar que, como nós, os que o atacam e o desprezam não sabem o que fazem.
Em vez de enfrentar o mal com o mal, Jesus salva para o amor os que dEle se aproximam. Porque o começo da vitória sobre o mundo é a vitória sobre o ódio. Depois de ouvi-lO e adorá-lO, aquele que O encontra, no momento em que quer ser como Ele é, começa a enxergar de uma forma nova a rolinha e o urubu, os outros e a si mesmo.
A vontade de ajudar ajuda a crer e a esperar. Só esse querer o bem revela o sentido e a beleza de tudo. É a caridade que nos faz Filhos de Deus.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Vândalos chapa-branca



Minha médica não demonstrou a gratidão devida quando foi parada pela Operação Lei Seca à meia-noite. Voltava da academia de ginástica e pouco lhe importava o que a sociedade está lucrando com a nova prática de deter os bêbados. Só queria ir para casa dormir.
Vendo o seu mau humor, os policiais, imagina-se a que custo desviados da função de enfrentar facínoras armados para a de assustar moças suspeitas de embriaguez, cercaram-na, filmaram-na e ameaçaram-na, até que um deles lhe comunicou que o lacre da placa do seu carro estava quebrado e, como é proibido trafegar com lacre quebrado, o veículo seria rebocado para o depósito público.
De nada acuso os agentes da lei. Cortar o lacre dos carros é uma pratica de vandalismo que se está espalhando pelo país. Quem sobe no ringue deve estar preparado para sofrer algum golpe baixo. Quero, apenas, chamar a atenção para as contradições do sistema.
Algum representante da maioria que acha que essa pimenta não atinge os seus olhos porque não transita de carro à noite pelas ruas da cidade vai reclamar quando chegar no posto de saúde e for informado de que a doutora não foi trabalhar porque ficou sem o carro. Melhor para ele do que para o que terá sido assaltado porque a polícia, ocupada demais nas blitzen contra os motoristas, deixou livres os ladrões.
Da minha parte, evito sair à rua. Só que, agora, uma nova lei me obriga a receber dentro de casa inspetores da construção. Vou abrir a porta ao técnico em construção com o mesmo respeito que dedico aos guardas de trânsito. Mas, penso que coletivamente poderíamos nos organizar para enfrentar o vandalismo oficial.
Para não extrapolar os limites da correção política, proponho apenas uma campanha educativa. Formaríamos equipes de educadores que enviaríamos a oferecer diariamente aos agentes da Lei Seca o louvor que eles merecem. Para lhes mostrar quanto apreciamos que eduquem os jovens que não aprenderam em casa e na escola o risco de dirigir embriagado, lhes ofereceríamos cursos gratuitos permanentes de abordagem aos que são vítimas de desvios de personalidade mais graves. A campanha seria estendida depois a sub-prefeitos cata-lixo, candidatos a deputado sem princípios e assim por diante.
Há um problema. De onde viriam os recursos para isso? Com a descriminalização da produção e tráfico de drogas e a taxação dessas atividades, o governo arrecadaria recursos que poderia destinar à educação dos policiais. Mas, enquanto isso não acontece, há uma solução coerente com a lógica dominante: deslocar mais dos parcos recursos destinados à educação pública ao financiamento da elevação da polícia.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Há conservadores e há liberais


Os conservadores são os que veem o mundo parado, as pessoas divididas em dois grupos estanques: o das que têm qualidades e direitos, as quais eles veneram e protegem, e o das que têm defeitos e deveres, que desprezam e exploram. Os liberais veem um mundo em construção, não avaliam as pessoas, mas, sim, o que elas tentam fazer e as amam como companheiras de campanha.
 Os conservadores confiam na memória; os liberais, no raciocínio. Os conservadores gostam de repetir o que veem repetido; os liberais se deliciam em explorar o novo. Os conservadores querem preservar os sítios históricos; os liberais lutam para libertar as forças da Natureza. Os conservadores cercam-se de bens materiais; para os liberais a riqueza que conta é espiritual.
 Os conservadores querem estar sempre certos; os liberais sentem que estão sempre errados. Os conservadores votam no partido, enquanto os liberais votam na proposta. Os conservadores querem um governo forte, para manter a ordem; os liberais querem um governo melhor, mas detestam a delegação de poderes. Os conservadores são a favor da violência institucional e contra a violência dos quebra-quebra; os liberais são contra as duas.
Os conservadores desconhecem o envelhecimento; os liberais ouvem a opinião dos velhos como contribuição nova. Os conservadores paparicam os filhos; os liberais crescem junto com eles. Os conservadores se julgam eternos como são, santos acima do bem e do mal, e sua religião serve apenas para diferenciá-los. Os liberais buscam a vida eterna e só aceitam um Deus amoroso que abre um caminho ao alcance de todos.
Os liberais sonham atrair os conservadores. Os conservadores prefeririam que os liberais não existissem.